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Gestão criativa: como criar colaboração em ambientes de trabalho

Equipe MJAB 26.04.22

Por Jenise Carvalho

Antes de entrar na faculdade de Direito, fiz cinco semestres de administração de empresas. Confesso que naquela época eu buscava primordialmente ingressar em uma faculdade que fosse voltada para o que gosto de fazer: organizar.

Ocorre que em 1998 ser Administrador de Empresas não era uma carreira promissora e, por essa razão, em 2001, deixei a faculdade e fui estudar Direito. Formei em 2006, após estagiar em alguns escritórios de advocacia e órgãos públicos. Advoguei por 13 anos e, durante esse período, sempre mantive a minha paixão pela organização dos locais pelos quais passei, pela possibilidade de trocar ideias para melhorar os processos internos. Fui estudando, observando e transformando minha paixão em um objetivo: ser gestora de um escritório de advocacia.

Em 2019, fui convidada para ingressar no quadro societário do escritório Marcos Joaquim Gonçalves Alves e Burle Advogados e Consultores e trabalhar diretamente com a gestão daquela sociedade. Durante anos de estudos, conversas com meus pares e na prática, confirmei o que já sabia, gestão é muito mais que organização. Gestão é sobre servir, que se traduz em auxiliar empresas e pessoas a desenvolverem suas capacidades, observar e sugerir caminhos e deixar que o time alcance seus objetivos sabendo que possui um alicerce no qual se apoiar.

Gestão e colaboração na prática

Este alicerce, a gestão, personificada em uma pessoa de confiança, precisa ter bons ouvidos, paciência, uma visão 360 graus dos processos e saber o momento certo de se colocar ou de auxiliar o colaborador a deixar a zona de conforto através de conversas francas e cuidadosas.

Além da necessidade de lidar com os desafios pessoais de cada colaborador, o gestor ainda precisa fazer com que as equipes de trabalho sejam colaborativas e de alta performance. Para tanto, o gestor precisa focar na composição desses grupos, buscando muito além da técnica e competências profissionais, mas na complementaridade do time.

Por complementaridade entende-se que as fraquezas de uns serão compensadas pelas forças dos outros, desde que sejam estabelecidos propósitos em comum e vínculo entre a equipe. Também é importante manter certa diversidade entre seus membros, seja por meio de variáveis como gênero, formação profissional ou elo cultural. Isso porque o acesso a outras realidades e a diferentes níveis de senioridade aumenta a maturidade de todos os integrantes.[1]

Por fim, e não menos importante, tanto o gestor quanto os demais membros das equipes precisam sempre lembrar que não obstante as pressões diárias, estamos tratando com seres humanos que possuem suas fragilidades, seus problemas pessoais e, da mesma forma que gostamos de ser respeitados, também devemos respeitar aos outros. O respeito mútuo, o “segurar as pontas” de vez em quando, aumenta o engajamento dos demais porque estes terão a certeza de que quando necessitarem, serão eles cobertos por seus colegas.

Finalizo com uma frase de Marcos Roberto Alves, Diretor administrativo e financeiro da Thutor: “nenhuma pessoa é só razão e efetividade e também não é só emoção e afetividade.”[2]

Este é o primeiro artigo de uma série de textos sobre governança, gestão ativa, performance e carreira. Nosso objetivo é impulsionar boas ideias e ações que já desenvolvemos no escritório e, simultaneamente, gerar uma rede de trocas de conhecimento por meio de conteúdos de qualidade e informações relevantes. Acompanhe!

 

[1] SABBAG, Paulo Yazigi. Competências em Gestão. 1ª ed. Rio de Janeiro. Alta Books, 2018.

[2] FERNANDES, Márcio. Filosofia de Gestão, Cultura e Estratégia COM as pessoas. 1ª. ed. São Paulo. Portifólio-Penguin, 2019.